Aterrar na Lua…

Agosto 1, 2009 às 11:55 pm | Publicado em Lua | Deixe um comentário

Hoje durante a palestra que dei na astrofesta 2009 sobre a conquista da Lua, surgiu uma questão do Pedro Ré sobre a razão porque os astronautas nunca tinham pousado numa grande cratera? A pergunta é interessante e olhando para um mapa lunar, as duas crateras que saltam à vista são Tycho (85 km de diâmetro) e Copérnico (93 km de diâmetro). Porque não uma destas duas?

A minha resposta foi de que a escolha dos sítios tinha a ver com questões geológicas, mas também com questões de segurança, mas gostava de desenvolver a resposta um pouco mais, pois ficou incompleta.

Em primeiro lugar, relativamente ao lugar escolhido para a Apollo 11, foram tidos vários factores em linha de conta. A suavidade do terreno com poucas crateras e pedregulhos, a inexistência de grandes desníveis topográficos, como colinas, precipícios ou crateras profundas que poderiam causar uma leitura errada de altitude nos dados do radar do módulo lunar e as exigências do propulsor, que naquela latitude (perto do equador), aproveita a própria velocidade de rotação da Lua (mais elevada no equador do que nos pólos) para mais facilmente alcançar a órbita lunar.

É claro que estas considerações estão principalmente relacionadas com a segurança da nave, há depois a questão geológica, que é também importante, embora esteja sempre condicionada pela questão da segurança.

Depois da aterragem de precisão bem conseguida pela Apollo 12, os responsáveis pela escolha dos locais de alunagem, começaram a escolher sítios um pouco mais difíceis, mas sempre perto da zona do equador.

Em relação às duas crateras, Tycho está claramente fora da zona equatorial, portanto, nunca seria um alvo para as missões Apollo. Quanto a Copérnico está efectivamente na zona equatorial, mas o facto de nunca ter sido escolhida para uma missão Apollo pode estar relacionado com a sua importância geológica não ser tão relevante como outros sítios escolhidos, pois seria fácil uma nave lunar aterrar dentro de Copérnico. Portanto, não me parece ser tanto um problema de segurança, mas mais um problema de relevância geológica.

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