Esta pequena polémica sobre a primeira detecção directa de um planeta extra-solar por Kalas et al., fez-me lembrar que o estatuto do 1º hipotético planeta detectado por observação directa (2M 1207B) está longe de ser consensual. Na verdade existem várias reservas quanto ao verdadeiro estatuto deste famoso planeta, pois parece tratar-se claramente de um objecto que nasceu juntamente com a anã castanha, embora com uma massa planetária. Daí que há quem ache que o objecto em questão e a anã castanha são na verdade um sistema binário e não um planeta e uma estrela.
Para mim, parece-me mais um binário de uma anã castanha e de uma outra coisa qualquer estranha, para a qual não temos uma boa definição. É que temos claramente um problema com este objecto que é o ter uma massa planetária, mas ter nascido como se fosse uma estrela num sistema binário. Isso mostra que o nosso conceito de planeta não é muito claro ou abrangente no caso dos planetas extra-solares e que não consegue incluir coisas esquisitas como o 2M 1207B.
Sei que não é fácil arranjar um conceito abrangente, mas parece-me que não podemos estar muito cingidos ao nosso conceito tradicional de planeta. Senão o 2M 1207B passa a ser uma coisa sem família. Agora é curioso como todos os comunicados do ESO divulgam o 1207B como um planeta extra-solar.
Portanto, seguindo esta linguagem popular digamos que a 1ª detecção directa de um extra-solar foi mesmo o 1207B, embora a sua definição como planeta seja polémica e escape ao conceito tradicional de planeta. Desse ponto de vista, o Fomalhaut B é mais fácil de definir como planeta que o 1207B. Disso também não há dúvida.