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Setembro 15, 2008 às 9:11 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário

Na edição original inglesa, o livro tem dois ursos polares na capa, na edição portuguesa, o atelier do Henrique Cayatte fez-lhe uma capa mais à maneira com um mundo quente. É curioso terem tirado os ursos da capa. Se calhar descobriram que os ursos não estão a morrer por causa do aquecimento global.

Mas o livro é uma decepção do princípio ao fim. Esperava-se mais de duas pessoas que dizem no prefácio que são cientistas e que vão explicar a questão do aquecimento global da forma mais directa possível com as explicações científicas mais recentes. Na verdade, o que fazem é promover um roteiro alarmista sobre o aquecimento global de forma disfarçada. Aliás, um dos autores (Sir David King) foi o mesmo que disse em 2004, que as alterações climáticas são “o problema mais grave que enfrentamos hoje, mais grave que a ameaça do terrorismo.” Ora quem diz uma coisa destas só pode escrever um livro com o mesmo sentido.

Embora, os autores digam que não são activistas ambientais, a verdade é que o parecem na forma como abordam o problema. Com ar de ciência lá vão falando do problema dizendo que tem havido muita confusão ambiental sobre as alterações climáticas e muita desinformação. É um facto, mas os autores não ajudam muito a clarificar a confusão, pois tomam partido pela corrente alarmista dando vários exemplos sobre as causas e os sinais do aquecimento global que são discutíveis e não consensuais como os autores querem fazer crer. Fazem mesmo afirmações que são polémicas do ponto de vista científico, embora no livro passem como verdadeiras. Portanto, há um recurso à ciência de forma selectiva com vista a fazer passar uma determinada mensagem. Portanto, o livro tem na 1ª parte (sobre o problema do aquecimento global) alguma manipulação na abordagem que faz e que é pouco científica.

Depois na parte das soluções é mais política do que ciência, o que até não admira atendendo ao perfil de David King. Afinal estamos a falar de um ex-conselheiro de Tony Blair, que convenceu o antigo primeiro-ministro britânico dos benefícios da política de redução do carbono. Digamos que é uma espécie de um Al Gore inglês, mas mais cauteloso e com um discurso mais científico. Mas disfarça mal, pois quem souber um pouco da história percebe que tipo de agenda promove.

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