Mais alarmismo

Julho 27, 2008 às 4:59 pm | Publicado em Revistas | Deixe um comentário

A capa de Science & Vie de Julho é típica da ecologia alarmista. Em grande destaque traz como hipótese uma possível subida de 3 metros no nível do mar até 2100, embora vá dizendo que tudo depende das calotes polares. Nas páginas interiores traz dois artigos: um sobre as consequências de uma subida de 3 metros no nível do mar e outro sobre o contributo das calotes polares para essa situação (Gronelândia e Antárctida).

O 1º artigo de Yves Sciama é um pouco alarmista e cheio de mapas que mostra o que acontecia caso o nível do mar subisse 3 metros até ao fim do século. Pelo menos cita o Giec francês, que aponta para uma subida global do mar de 20 a 60 cm até 2100, embora o presidente deste grupo de estudos admita que não entraram em linha de conta com as 500 giga toneladas/ano de perda de gelo, da Antárctida e da Gronelândia, o que pode conduzir a uma revisão radical no próximo relatório do grupo. Uma previsão que contraria certos estudos que referem não existir um aumento significativo do nível do mar por causa da perda de gelo da Gronelândia e da Antárctida.

Depois o 2º artigo de Lise Barnéoud fala num tom mais contido da pesquisa levada a cabo na Antárctida para perceber a perda de gelo neste continente branco. O artigo contém várias declarações de Eric Rignot, um alarmista destas coisas, que publicou em 2006, um artigo famoso sobre a aceleração glaciar na Gronelândia e que agora fez o mesmo sobre a Antárctida. Pelo menos Rignot tem a sinceridade de assumir que muita gente não acredita nas suas conclusões a respeito da Antárctida. Pelo menos isso. A própria jornalista também é cautelosa em algumas partes, o que só lhe fica bem. Mas devia ter falado com mais especialistas, pois há estudos que relativizam os dados de Rignot.

Mas enfim, tudo isto soa a alarmismo ecológico e a capa da revista faz isso claramente. Enfim, tudo para vender…

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