Outro alarmista

Julho 31, 2008 às 2:19 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário

Há tempos saiu um livro do João Lin Yun sobre o aquecimento global. Fiz uma ligeira referência à publicação aqui, mas depois de o ver com mais atenção gostava de dizer mais alguma coisa.

É um livro de ciência popular sobre o problema das alterações climáticas e o que devemos fazer para evitar o aquecimento global. É um livro na senda de outros, que aponta soluções para tentar resolver os grandes problemas do aquecimento global, dentro de uma corrente alarmista, tão típica deste tipo de literatura. Portanto, não vem acrescentar nada ao que já existe em português.

O que seria interessante num livro destes era uma abordagem rigorosa e criteriosa do problema do aquecimento global e do tipo de soluções racionais que podemos adoptar. Mas o que vemos é mais um ecologista alarmado a fazer um apelo geral às armas contra o aquecimento global. Embora seja mais contido que Al Gore, o estilo alarmista não anda muito longe do antigo Vice-presidente norte-americano.

Mesmo assim, devo confessar que gostei da capa e que resulta bem em termos gráficos, embora em termos de teoria dê uma mensagem errada. É que o aquecimento global é inevitável e não é possível invertê-lo por muito política de redução do carbono que se faça (aliás, o próprio autor reconhece isso), pois nem sequer sabemos ao certo qual é o peso específico da actividade humana no aquecimento global e do C02 em particular no actual ciclo climático. O que podemos fazer é minorar o aquecimento global de forma a não termos impactos negativos repentinos no planeta. Mas mais do que isso é pura ilusão. Portanto, arrefecer a Terra não é uma ideia muito viável ao contrário do que diz o título do livro.

Em suma, mais um autor a dizer que a humanidade está condenada se ninguém fizer nada rapidamente. É óbvio que temos que fazer alguma coisa, mas é com calma e sentido de realidade, não é com alarmismo.

NASA – 50 anos

Julho 30, 2008 às 2:56 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário

Ainda é a maior agência espacial do mundo. Ainda é a que tem planos mais ambiciosos. A NASA fez ontem 50 anos de existência e calculo que permaneça por mais outros 50.

Uma astrologia curiosa

Julho 28, 2008 às 2:42 pm | Publicado em Livros | 2 comentários

Sempre vi a astrologia como uma espécie de prática de auto-ajuda ou de mediação pessoal que depende muito da experiência e da intuição do astrólogo para detectar os problemas pessoais de cada um. Mas nessa perspectiva nunca a considerei muito diferente de outras práticas ocultas, como o mediunismo, o tarot, a quiromancia, a magia, que têm o mesmo efeito nas pessoas, embora usando métodos e sistemas de crenças diferentes.

Depois a astrologia é daquelas coisas que dá para tudo. Tanto se diz que determina a vida de um indivíduo como o contrário disse. No fundo é um sistema arco-íris que dá para todas as cores, consoante aquela que gostamos mais. Ouvimos o que gostamos de ouvir e depois é tudo uma questão de tendências.

Falo disto a propósito de um livro que acabou de sair do José Prudêncio, um professor de filosofia e astrólogo. É que o livro é uma boa reflexão crítica sobre a astrologia, os seus problemas e limitações e tem mesmo uma proposta para uma nova astrologia. Não é que tenha ficado seduzido pela proposta, mas o livro tem coisas interessantes.

Ao ver o livro não é difícil perceber que o autor conhece bem as concepções filosóficas e culturais da astrologia e também as contradições e as limitações do próprio sistema. E é por ter tomado consciência dessas limitações e contradições, que Prudêncio decidiu inventar um novo sistema astrológico, a chamada astrofilosofia, que no fundo é um cocktail de filosofia e de astrologia.

Mas digno de registo (pela sinceridade) é que Prudêncio reconhece que a astrologia não é uma ciência, e que provavelmente não tem qualquer fundamento científico e que na verdade não é mais do que uma técnica de linguagem usada para resolver problemas pessoais. Ora, perante isto é espantoso que depois Prudêncio adopte como base conceptual da sua nova filosofia, a mesma base conceptual da astrologia, ou seja, as posições planetárias, que o próprio reconhece não terem uma base física ou porventura não corresponderem a uma influência real. Ou seja, entra em completa contradição. Ou melhor dizendo, é como ser padre sem acreditar em Deus.

No novo sistema de Prudêncio (a astrofilosofia) percebe-se que continua a considerar que as três coisas mais importantes na astrologia são a hora do nascimento, o local e a data do mesmo, pois partindo da data, da hora e do local pode-se calcular a posição exacta dos planetas na altura do nascimento. Esquece-se que qualquer pretensa influência planetária sobre a Terra seria praticamente a mesma em qualquer lugar (o que torna irrelevante o local) e que antes de nascer já somos um ser dentro do útero materno e que qualquer influência planetária já se devia sentir aí. E que o sistema solar, além de planetas e da Lua, tem cometas, asteróides, luas de outros planetas, trans-neptunianos e o próprio Sol, que também deviam entrar nessas cartas astrológicas. E que a influência da Lua sobre as marés é gravitacional e que pode ser calculada facilmente sobre o corpo humano, não tendo qualquer influência subtil em nós.

O livro é vasto e adivinha-se que nasceu dos estudos que o autor fez em Inglaterra no âmbito de um curso sobre astrologia cultural. Teria sido interessante reportar-se unicamente à evolução cultural da astrologia, sem querer inventar um novo sistema. Mas Prudêncio é um astrólogo praticante e consciente das contradições da astrologia convencional tentou conceber um sistema com menos contradições. O problema é que o sistema conceptual da astrologia não tem fuga possível a não ser abandoná-lo completamente. Aliás, no livro aparece o exemplo, de alguns astrólogos australianos, que abandonaram a astrologia por perceberem que as previsões astrológicas tanto funcionavam para as pessoas de uma forma, como da forma completamente contrária, o chamado efeito arco-íris. A partir daí perceberem que a prática astrológica não tinha qualquer coerência. Prudêncio preferiu um caminho diferente. Muito bem. Mas faz-me lembrar um padre que descobre que se calhar Deus não existe, mas como gosta da profissão continua a exercer. Parece-me ser o caso de Prudêncio, que não quis deixar a paixão da juventude. Mas achei interessante o livro e recomendo pela abordagem crítica que faz da astrologia convencional.

Mais alarmismo

Julho 27, 2008 às 4:59 pm | Publicado em Revistas | Deixe um comentário

A capa de Science & Vie de Julho é típica da ecologia alarmista. Em grande destaque traz como hipótese uma possível subida de 3 metros no nível do mar até 2100, embora vá dizendo que tudo depende das calotes polares. Nas páginas interiores traz dois artigos: um sobre as consequências de uma subida de 3 metros no nível do mar e outro sobre o contributo das calotes polares para essa situação (Gronelândia e Antárctida).

O 1º artigo de Yves Sciama é um pouco alarmista e cheio de mapas que mostra o que acontecia caso o nível do mar subisse 3 metros até ao fim do século. Pelo menos cita o Giec francês, que aponta para uma subida global do mar de 20 a 60 cm até 2100, embora o presidente deste grupo de estudos admita que não entraram em linha de conta com as 500 giga toneladas/ano de perda de gelo, da Antárctida e da Gronelândia, o que pode conduzir a uma revisão radical no próximo relatório do grupo. Uma previsão que contraria certos estudos que referem não existir um aumento significativo do nível do mar por causa da perda de gelo da Gronelândia e da Antárctida.

Depois o 2º artigo de Lise Barnéoud fala num tom mais contido da pesquisa levada a cabo na Antárctida para perceber a perda de gelo neste continente branco. O artigo contém várias declarações de Eric Rignot, um alarmista destas coisas, que publicou em 2006, um artigo famoso sobre a aceleração glaciar na Gronelândia e que agora fez o mesmo sobre a Antárctida. Pelo menos Rignot tem a sinceridade de assumir que muita gente não acredita nas suas conclusões a respeito da Antárctida. Pelo menos isso. A própria jornalista também é cautelosa em algumas partes, o que só lhe fica bem. Mas devia ter falado com mais especialistas, pois há estudos que relativizam os dados de Rignot.

Mas enfim, tudo isto soa a alarmismo ecológico e a capa da revista faz isso claramente. Enfim, tudo para vender…

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A ver

Julho 24, 2008 às 6:22 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário

Um blogue de um céptico do aquecimento global.

Uma verdade inconveniente

Julho 23, 2008 às 3:24 pm | Publicado em Livros | 2 comentários

O Marlo Lewis escreveu um livro sobre o livro-filme do Al Gore. É um livro demolidor sobre as teorias de Gore a respeito do aquecimento global. Na verdade, Marlo analisou o livro de Gore a fundo e descobriu o seguinte: 26 afirmações enviesadas, 17 afirmações enganosas, 10 afirmações exageradas, 28 afirmações especulativas e 19 afirmações erradas. Ou seja, Al Gore não se preparou bem para escrever o que escreveu sobre o aquecimento global. Nem foi bem aconselhado, pois teve concerteza gente a trabalhar para ele. Na verdade, parece evidente que Gore não tem conhecimentos suficientes para escrever sobre alterações climáticas. É pena, pois desta forma perde credibilidade no que diz. É claro que Gore acredita no que escreve, mas não teve o cuidado devido em confrontar fontes, nem cautela alguma com certo tipo de teorias. Gore quer passar uma teoria. Uma teoria alarmista sobre o aquecimento global. E faz isso com grande convicção.

Mas não deve ser o único. Desconfio que há por aí mais gente a escrever sobre o assunto sem o ter estudado devidamente. Mas é impressionante a quantidade de livros publicados sobre esta questão. Alguns bem fundamentados, mas outros apenas alarmistas e não é fácil sabermos no que podemos acreditar. Por isso, o livro do Marlo Lewis tem uma vantagem. Aponta directamente para os estudos científicos sobre o problema. Podemos assim tentar encontrar referências mais credíveis. É claro que a lista é enorme e não é fácil pesquisarmos tudo. Mas é uma boa ajuda. E é também um livro que nos ajuda a pensar de forma céptica. Isto não quer dizer que o Lewis tenha razão em tudo o que diz, pois o tema é demasiado complexo e há várias perspectivas sobre o assunto. Mas pelo menos obriga a olhar para o problema com outros olhos. O mais curioso é que este livro tem passado despercebido. Pouco destaque tem tido. Como se fosse um livro incómodo. Inconveniente.

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A ver

Julho 22, 2008 às 9:41 pm | Publicado em Planetas | Deixe um comentário

A página pessoal do Clark R. Chapman, que é um especialista em asteróides e impactismo. A página tem muita informação, nomeadamente apresentações e artigos do Chapman.

O planetário

Julho 21, 2008 às 4:07 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário

Foi no dia 20 de Julho de 1965, que foi inaugurado o Planetário Gulbenkian em Lisboa. A inauguração foi em grande com a presença do Presidente da República. O projector da Zeiss era o topo de gama da altura e a cúpula das maiores da Europa. Ainda hoje é um planetário imponente. Mas é o curioso o dia da inauguração, pois coincide com a data da chegada dos primeiros homens à Lua, quatro anos depois. Uma coincidência feliz.

A ver

Julho 21, 2008 às 12:44 am | Publicado em Espaço | Deixe um comentário

Os 39 anos da Apollo 11 no Correio da Manhã.

Apollo 11

Julho 21, 2008 às 12:39 am | Publicado em Espaço | 1 Comentário

Julho é o mês da Apollo 11. Foi num Verão quente e solarengo que Armstrong e Aldrin desceram na Lua. Já não é do meu tempo. Por vezes, imagino-me mais velho, a nascer em 1963 e a ver na inocência dos meus 6 anos de idade, os primeiros passos na Lua. A ver aquele deserto cinzento com um céu escuro como carvão. Aldrin chamou-lhe “magnífica desolação” e tinha razão para lhe chamar assim. É de facto magnífica. Mas como disse já não é do meu tempo. Nasci depois e já apanhei a história a meio. Já apanhei a história nos livros ou nos documentários da TV.

Um dia quando a Apollo 11 fez 30 anos decidi fazer um pouco mais e fui para as escolas com Saturno V, com o módulo lunar, com os astronautas, mostrar a outros a magnífica desolação. Guardo boas memórias desse tempo. Senti-me realizado a contar a história aos mais novos. Gostei de fazer aquilo. Ainda guardo dos slides e o foguetão em algum lugar? Por isso, continuo a gostar de falar do assunto e continuo a sonhar com aquele Verão quente e solarengo em que dois homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez outro mundo além do nosso.

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