50 anos depois

Outubro 4, 2007 às 12:06 am | Publicado em Espaço, Memória do tempo | 3 comentários

Hoje é um dia espacial. O momento em que começou a era espacial, quando a União Soviética lançou o seu primeiro satélite artificial, o Sputnik 1 (Companheiro). Faz hoje 50 anos. Na noite daquele dia distante, a Rádio Moscovo emitia a notícia de que a União Soviética tinha lançado com êxito o seu primeiro satélite artificial. A partir daquele momento, a Terra tinha mais um companheiro em órbita. A notícia foi uma surpresa, mas quando as estações de radioescuta começaram a captar os sinais do Sputnik tornou-se evidente que a União Soviética tinha mesmo construído o primeiro satélite artificial da história. Nos Estados Unidos o impacto deste lançamento foi enorme. Os norte-americanos também estavam empenhados no lançamento de um satélite, mas os testes com o foguetão Vanguard da Marinha tinham corrido mal. Com o lançamento do Sputnik, a opinião pública americana sentia que o seu país estava a ficar para trás na corrida espacial e que os soviéticos estavam na vanguarda da ciência e da tecnologia. Mas também sentia que tendo a União Soviética foguetes tão potentes para lançar um satélite também podia lançar ogivas nucleares em qualquer lugar da Terra. E isto provocou preocupação em pleno clima de guerra-fria.

O pequeno Sputnik tinha sido criado por Sergei Korolev, o pai da ciência soviética de foguetes. A primeira ideia era para um satélite maior do que Sputnik equipado com a 200 a 300 kg de instrumentos científicos e que deveria ser lançado em finais de 1957. Mas percebeu-se rapidamente que um satélite desta envergadura precisava de tempo para ser construído, o que poderia permitir aos EUA anteciparem-se com o lançamento de um satélite em primeiro lugar. Os soviéticos pensaram então num objecto mais simples que fosse capaz de fazer alguns estudos sobre a atmosfera e que tivesse a bordo emissores de rádio capazes de transmitir sinais para a Terra. Desta forma conceberam o Sputnik 1 em alumínio com quatro antenas e dois emissores de rádio que transmitiam para a Terra a sua posição exacta. O pequeno satélite foi lançado a bordo de um foguetão R-7 e o lançamento não tinha outro objectivo senão demonstrar a sua possibilidade. Durante 21 dias, o pequeno companheiro da Terra foi transmitindo o bip-bip que anunciava o começo da era espacial. Depois a fraca altitude do seu perigeu fê-lo reentrar na atmosfera acabando por se desintegrar em Janeiro de 1958. Mas como disse Korolev naquela famosa noite de 4 de Outubro num discurso improvisado: “Realizaram-se hoje os sonhos dos melhores filhos da humanidade. Começou a conquista do espaço.” Ainda hoje, sinto estas palavras a ressoar na memória.

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3 comentários »

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  1. […] 50 anos depois no Radiante […]

  2. Olá Zé!

    O Sputnik não foi criado por Serguei Korolev mas sim por Mikhail Tikhonravov. Korolev foi o mentor por detrás do míssil balístico intercontinental R-7 na base do qual foi criado o lançador do Sputnik, o foguetão 8K71PS.

  3. Olá Rui; tens toda a razão. Cá fica a emenda. Um erro de senso comum.

    Um abraço


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