Rumo à eternidade

Setembro 5, 2007 às 9:44 am | Publicado em Memória do tempo, Missiões, Planetas | 2 comentários

Faz hoje 30 anos, que a sonda Voyager 1 partiu para a grande volta. A Voyager 2 já tinha partido a 20 de Agosto com o mesmo objectivo. Visitar os planetas do sistema solar exterior aproveitando um alinhamento raro entre eles para os estudar de uma vez só. Não me lembro do dia da partida, nem da chegada a Júpiter em Março de 79, nem da chegada a Saturno em Novembro de 80, mas lembro-me bem da chegada da Voyager 2 a Úrano em Janeiro de 86 e a Neptuno em Agosto de 89. Ainda hoje tenho na memória todos os momentos daquele dia quente de Agosto e da chegada a Neptuno e a Tritão.

Depois, muito mais tarde, comecei a perceber melhor o que os Voyager tinham descoberto e ainda hoje olho para as imagens que captaram com surpresa. Quanta coisa naquelas imagens pré-Galileu e pré-Cassini! Na verdade, foram elas que abriram as portas do sistema solar exterior.

Hoje, são apenas dois mensageiros longínquos da Terra. Dois mensageiros à porta da eternidade. Andarão centenas de milhões de anos a vaguear pela Via Láctea. Consigo levam memórias de uma civilização, que um dia habitou um canto da galáxia. Memórias de nós.

E um dia quando já não houver humanos, nem nada do que conhecemos na Terra, elas continuarão a sua viagem silenciosa, sem destino e sem rumo. E esta é a parte mais fascinante. Serem testemunhos de uma civilização já extinta. Por isso, tenho inveja delas. Inveja de não durar tanto, de não ser tão resistente. De não ter a eternidade à minha espera.

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