Einstein e Gago Coutinho

Março 14, 2005 às 8:38 pm | Publicado em Astronomia | 12 comentários

Quando foi nos anos 20 ao Brasil, fazer uma série de conferências sobre a relatividade, Einstein teve na audiência Gago Coutinho. O almirante assistiu a uma conferência do físico no Clube de Engenharia em 6 de Maio de 1925. Ora é natural que Gago Coutinho não percebesse muito do assunto, mas mesmo sem perceber muito deu-se ao trabalho de escrever um artigo para “O Jornal” fazendo um ataque à relatividade. Estava errada, achava ele e isto mostra bem a nossa forma de ser. Mesmo quando não percebemos bem um assunto damos um ar da nossa graça e falamos como se fossemos entendidos na matéria.

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12 comentários »

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  1. Essa observação, permita-me a ousadia, está muito desfazada do contexto e da realidade de então

  2. Olá

    O que eu relatei neste post foi o que aconteceu. De facto, Gago Coutinho falou do que não sabia…

    José Matos

  3. Gago Coutinho não foi o único de então a opor-se à teoria da relatividade, além do mais também ele um Matemático justificou a sua posição em publicações da então revista da Seara Nova, criticarmos alguém que faleceu há 50 anos dizendo “damos um ar da nossa graça e falamos como se fossemos entendidos na matéria. ” poder-se-ia então aplicar a todos aqueles cujas ideias ou teorias foram sendo modificadas o que não faria qualquer sentido

  4. Caro Costa Pinto

    Agradeço o seu comentário e a polémica que suscita, mas a resistência de Gago Coutinho à nova teoria não me parece baseada numa discordância fundamentada, mas sim numa resistência preconceituosa contra a emergência de uma nova física com Einstein.

    De facto, Gago Coutinho não conhecia a fundo a teoria de Einstein para fazer as críticas que fez. Ele próprio na Seara Nova nº540 reconhece que apenas conhecia a Relatividade Restrita de “folhetos de vulgarização, como os de Einstein, Langevin e Metz”.

    Portanto, um homem distinto como ele que faz um crítica sistemática da teoria desde os anos 20 até 1937, com base em folhetos de vulgarização, não me parece uma atitude muito científica.

    Mas já agora escrevi um novo post sobre isto que pode ver no blogue para enquadrar melhor esta polémica. Como é historiador e está a investigar a vida dele acho que esta questão da Relatividade é um bom tópico para a sua tese. O novo post que publiquei cita todos os números da revista onde os artigos foram publicados…

    Um abraço

    José Matos

  5. […] e Gago Coutinho Fevereiro 24, 2009 at 9:38 pm | In Astronomia | Já não é primeira vez que falo disto, mas apeteceu-me hoje voltar ao assunto, pois acho a polémica […]

  6. […] Já não é primeira vez que falo disto, mas apeteceu-me hoje voltar ao assunto, pois acho a polémica interessante. […]

  7. Do muito material inédito que já compilei posso esclarecê-lo do seguinte:

    Gago Coutinho admirava Einstein, e chegou mesmo a subscrever as suas ideias (ainda que nada publicado) leu e releu e acabou por discordar.
    Falar em “preconceituosa contra a emergência de uma nova física com Einstein. ” parece-me exagerado e abusivo. De facto Gago Coutinho era um homem de ciência que na sua plena liberdade de pensamento optou por discordar, enganou-se é verdade, mas isso não diminui em nada o génio do geodeta, matemático, astónomo, historiador e muito mais

    Um forte abraço
    Costa Pinto

  8. Costa Pinto

    Como eu próprio já tinha dito noutro comentário o próprio Gago Coutinho na Seara Nova nº540 reconhece que apenas conhecia a Relatividade Restrita de “folhetos de vulgarização, como os de Einstein, Langevin e Metz”. Portanto, se conhecia a relatividade de apenas folhetos de divulgação, não podia ter um conhecimento fundamentado da teoria para a criticar inicialmente como a criticou…

    Um abraço

    José Matos

  9. não podia ter um conhecimento fundamentado da teoria para a criticar inicialmente como a criticou…

    Repare tinha o conhecimento que lhe chegou às mãos e que leu e releu, obviamente que errou, mas como já referi tal não invalida o homem que era, e como tal tinha todo o direito para criticar o que entendesse.Se quiser , ainda que para mim seja um absurdo porque os homens não se comparam com esta facilidade. Digo-lhe que do ponto de vista do saber nas suas mais variadas vertentes Gago Coutinho possuía um conhecimento muito mais abrangente que Einstein não só teórico mas empírico. Encontre-me alguém que domine tantas áreas como Gago Coutinho no período em que viveu….não encontra

    Abraço cordial
    Costa Pinto

  10. Costa Pinto

    Nunca esteve em questão o homem que era, o que acontece é que era um homem como muitos outros e cometeu concerteza erros ao longo da sua vida. Nós quando estudamos uma pessoa histórica como o Gago Coutinho temos que ter algum distanciamento e fazer uma avaliação crítica do que foi o homem e da época em que viveu. Einstein que foi quem foi também cometeu erros e fez avialações erradas a respeito de outras pessoas…isso não me impede de reconhecer que foi o génio que foi…

    Portanto, não vale a pena endeusar um ou outro..são homens como todos nós….com defeitos e virtudes…

    Um abraço

    José Matos

  11. Meu caro

    A história é uma ciência, e o distanciamento não impede que se faça uma avaliação critica, de facto tenho comigo documentação que não possui, o que é natural, não pretendo endeusar ninguém mas posso assegurar-lhe que era um homem fora do comum.
    E ninguém retira o mérito a Einstein, posso assegurar-lhe que errou e era tão humano como o comum dos mortais,mas não tem na nossa história o papel que lhe é devido e não apenas aquele que foi utilizado em velhas cartilhas escolares “O almirante da travessia”. Terá certamente mais tarde oportunidade de conhecer o homem de que falamos à luz dos factos, do qual espero chegar a bom termo. Uma coisa pode ter a certeza é que Portugal teve e tem excelentes homens de ciência , e espero que continue divulgando a nossa ciência e seja por favor um pouco mais condescendente com o velhinho Almirante, olhe que ele o merecia
    Abraço cordial

  12. Que ele não tenha nossa história o papel que lhe é devido acredito, por isso, gosto sempre de ver novas investigações sobre ele….

    Um abraço

    José Matos


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