Outros mundos

Agosto 27, 2004 às 6:12 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
Os ventos sopram de feição para a descoberta de planetas extra-solares. Depois da descoberta do Nuno Santos de um planeta com 14 massas terrestres, é a vez dos americanos anunciarem para o dia 31 deste mês uma grande descoberta a esse nível. Vamos ver se os resultados correspondem à publicidade.

O caminho das almas

Agosto 20, 2004 às 10:37 pm | Publicado em Astronomia | 1 Comentário


É ali que vivemos. Numa coisa destas com tantas estrelas que ninguém sabe ao certo quantas são. Por estas noites vê-se uma parte dela espalhada pelo céu. Os antigos diziam que era o caminho das almas em direcção ao céu. Não imaginavam que era a nossa casa e que aquilo que viam era apenas o papel das paredes. Há 80 anos que sabemos onde estamos. O que quer dizer que passamos muito tempo sem conhecer os cantos à casa.

O guardador de rebanhos V

Agosto 19, 2004 às 12:52 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

E não pensar. É correr as cortinas

Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!

O único mistério é haver quem pense no mistério.

Quem está ao sol e fecha os olhos,

Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas coisas cheias de calor.

Mas abre os olhos e vê o sol,

E já não pode pensar em nada,

Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os filósofos e de todos os poetas.

A luz do sol não sabe o que faz

E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?

A de serem verdes e copadas e de terem ramos

E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,

A nós, que não sabemos dar por elas.

Mas que melhor metafísica que a delas,

Que é a de não saber para que vivem

Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das coisas” …

“Sentido íntimo do Universo” …

Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.

É incrível que se possa pensar em coisas dessas.

É como pensar em razões e fins

Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores

Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas

É acrescentado, como pensar na saúde

Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das coisas

É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.

Se ele quisesse que eu acreditasse nele,

Sem dúvida que viria falar comigo

E entraria pela minha porta dentro

Dizendo-me, Aqui estou!

Isto é talvez ridículo aos ouvidos

De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,

Não compreende quem fala delas

Com o modo de falar que reparar para elas ensina).

Mas se Deus é as flores e as árvores

E os montes e sol e o luar,

Então acredito nele,

Então acredito nele a toda a hora,

E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores

E os montes e o luar e o sol,

Para que lhe chamo eu Deus?

Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;

Porque, se ele se fez, para eu o ver,

Sol e luar e flores e árvores e montes,

Se ele me aparece como sendo árvores e montes

E luar e sol e flores,

É que ele quer que eu o conheça

Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,

(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),

Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,

Como quem abre os olhos e vê,

E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,

E amo-o sem pensar nele,

E penso-o vendo e ouvindo,

E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro (1914)

Duas novas luas para Saturno

Agosto 17, 2004 às 3:36 am | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
A Cassini já fez aquilo que eu estava à espera. Começou a descobrir novas luas em torno de Saturno. Com esta descoberta passa a ter 33. São duas pequenas luas, uma com 3 e outra com 4 km de tamanho. Mal se conseguem ver nas imagens da Cassini. A imagem de baixo mostra a S/2004 S2, que é a maior das duas. Está dentro daquele quadrado branco.

Outros vícios

Agosto 15, 2004 às 6:05 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
Mas o vício de acreditar não existe apenas na religião. Também o temos na ciência e na astronomia. Há coisas em que acreditamos que são assim. Outras em que queremos acreditar. O caso da vida extraterreste é um deles. Acreditamos que existe, mas não temos a mínima prova a seu favor. Não é isso também uma fé? E se não houver mais vida além da Terra? E se não houver vida inteligente além da nossa? E se o pessoal na galáxia for todo bruto e burro? E se não houver mesmo nada de nada no Universo inteiro? Tudo isto é possível embora o seu contrário também o seja. Mas é sempre bom dizermos isto às pessoas. Pode não haver vida extraterreste. Podemos estar sós no Universo. É uma ideia incomodativa, eu sei, mas para já é tudo o que temos. A solidão. Porque a vida como já disse não tem porquê nem para quê. Existe simplesmente. Outro caso é o Big Bang. Falamos tanto dele em relação à origem do Universo, mas não temos uma única prova directa sobre a forma como o Universo surgiu. E as branas e as supercordas e os buracos negros primitivos e a inflação, tanta coisa que não passa de pura especulação e que tantas vezes nos é apresentada como algo de verdadeiro e provado. Que sei eu? Já perguntava Montaigne no seu famoso medalhão. E a verdade é que sabemos pouco.

O vício de acreditar

Agosto 15, 2004 às 4:32 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
Quando olhamos para a história da vida na Terra vemos uma imensidade de coisas. Vemos pelo menos 3500 milhões de anos de história. Onde andava Deus então? No tempo das primeiras bactérias, das primeiras plantas ou dos primeiros dinossauros? Já andava por aí a passear no meio deles? Estou a vê-lo a puxar-lhes o rabo, a dar-lhes de comer na boca ou a dar-lhes os 10 mandamentos da boa convivência. E no tempo dos Australopithecus já havia Deus? Será que o Australopithecus já tinha alma? Já tinha direito à vida depois da morte? E se o homen nunca tivesse aparecido na Terra, haveria Deus? E um dia quando desaparecer da face do planeta e do Universo continuará haver Deus? A vida não tem porquê nem para quê, pois existe independente de nós, mesmo que o homem nunca tivesse existido. O único problema aqui somos nós mesmos com a nossa consciência de saber que estamos cá e de arranjar respostas para justificar porque estamos cá. Mas um cão ou um gato não têm essa necessidade de justificação, pois estão cá simplesmente e não pensam muito no assunto. E nós estamos cá como eles, embora tenhamos dificuldades em aceitar isso. O Australopithecus também não pensava muito no assunto, pois tinha mais em que pensar durante o dia. Mas nós que temos uma cabeça maior e mais esperta pensamos e vemos um pouco mais longe. Mas o que vemos não é agradável e, por isso, temos dificuldade em aceitar. Surgimos na imensidade da vida terrestre como muitos outros antes de nós, mas sem quê nem para quê, como toda a vida que existe por aí e que existiu até hoje neste bocado de pedra e água. Estamos cá há pouco tempo e um dia havemos de desaparecer, talvez mesmo sem deixar rasto. E um dia será a vez da própria Terra assada pelo Sol. A vida já terá desaparecido mesmo a inteligente. Gostava de saber o que é que Deus vai fazer nessa altura? Sem gente para o inventar sem vida para o adorar. Vai sentir-se sozinho? Mas já não estava sozinho no tempo das primeiras plantas ou dos dinossauros? Ou mesmo antes, nos primórdios da Terra? Mas se passou tanto tempo sozinho, não podia ter inventado o homem mais cedo? Esperou tanto para quê? E quando há uns bons séculos atrás inspirou uns farroupilhos a escrever a bíblia não podia logo ter-lhes contado a história toda da criação? É que lhes contou a história muito mal contada cheia de erros e de imprecisões. Mais valia não lhes ter dito nada. Mas mesmo cheia de erros ainda há quem acredite nela, o que mostra bem até onde vai o nosso vício de acreditar. Como dizia há tempos um filósofo americano esta coisa da religião é como o vício de fumar. Sabemos que faz mal, mas custa sempre deixar. É preciso muita força de vontade. E, por isso, um crente não abandona facilmente a sua crença. E depois há sempre o problema do vazio. Há quem não consiga suportá-lo. Como um vício que temos e que depois nos deixa sem saber o que fazer na sua ausência.

O espaço dos deuses

Agosto 15, 2004 às 4:23 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
É espantoso como estas coisa dos Deuses nunca nos largou ao longo da história. E a resposta para tal persistência parece-me óbvia: é que sempre tivemos necessidade de explicar aquilo que nos rodeia. De explicar o porquê e para o quê da vida. O quem somos, o porquê de tudo isto. Mas à medida que fomos percebendo que o Sol não era um deus, que o Homem teve uma origem, que as pedras nascem de forma natural, os deuses foram recuando. É claro que a ciência ainda não explicou muita coisa e é nesse espaço de mistério que os deuses habitam. Se lhe roubarmos esse espaço ficam sem nada para explicar ou para justificar.

O problema da criação

Agosto 15, 2004 às 4:05 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
Ao longo destes anos nas minhas aulas de astronomia tenho sido confrontado com a velha questão de Deus. É uma questão natural para quem mexe com a origem da Terra, do Universo ou da vida. Respondo sempre com sinceridade às pessoas dizendo que ninguém sabe se o Universo foi criado ou não? Podia já existir um antes deste. Podemos ser apenas um entre uma infinidade de outros possíveis (teorias dos multiuniversos). Podemos resultar da colisão de duas branas (teoria ecpirótica, nomeada a partir do grego ekpyrosis, “fogo desastroso”) que diz que tudo surgiu do choque de duas “membranas cósmicas” as tais branas e que isso já aconteceu vezes sem conta no passado e voltará acontecer no futuro. Portanto, quem diz que o Universo teve um criador está obviamente a exagerar ou a iludir-se a si próprio, pois o Universo nestas teorias não precisa de criador para nada. Por outro lado, há sempre o problema do criador. Donde veio ele? Como surgiu? O que andava a fazer antes?

Mas se ninguém sabe como surgiu este Universo em que vivemos dar Deus como resposta é apenas uma forma confortável de dar resposta para uma coisa que não tem resposta. É como olharmos para uma pedra na rua e dizermos que foi Deus que a criou, só porque não sabemos como ela nasceu. Deus não é mais que uma resposta para tudo o que não tem resposta. Quando não sabíamos como é que as pedras tinham sido geradas dizíamos que era Deus, quando não sabíamos como é que o homem tinha aparecido na Terra a mesma coisa e por aí fora. Agora que sabemos já não dizemos o mesmo, já não é o Adão e a Eva, mas continuamos a pôr Deus nos últimos mistérios. E porquê? Porque na verdade nós nunca gostamos do mistério. Incomoda-nos e por isso arranjamos sempre respostas para tudo. E não há resposta mais fácil que Deus.

Tunguska III

Agosto 14, 2004 às 1:40 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
Já agora para quem quiser ver trabalho sério sobre o evento de Tunguska pode consultar a página do grupo de Bolonha com vários artigos sobre o fenómeno.

Tunguska II

Agosto 14, 2004 às 1:24 pm | Publicado em Astronomia | Deixe um comentário
Hoje o Público traz mais novidades sobre a descoberta de Tunguska. Foi um tal de Iúri Labvin, presidente da fundação pública Fenómeno Espacial de Tunguska, que anunciou a descoberta de restos de uma nave extraterrestre. Segundo ele tratam-se de dois bocados de nave feitos de uma liga de ferro usada na construção de foguetões e míssieis. Mas vejo depois na notícia que este nosso descobridor de naves já em 1998 tinha encontrado em Tunguska duas barras metálicas de origem extraterrestre. Portanto, é um especialista em encontrar restos de naves. É pena a notícia não dizer também que a dita fundação existe para provar que o evento de Tunguska foi provocado por uma nave extraterrestre. Mas isso é fácil de adivinhar, não é?

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