As 4 provas da NASA

Março 3, 2004 às 7:19 pm | Publicado em Astronomia | 1 Comentário

Os indícios colhidos pelo Oportunidade a favor da existência de água em Marte resumem-se no fundo a 4 tipos de dados colhidos pelo rover. De salientar que estas pistas foram todas recolhidas no domínio da análise espectral e com o microscópio de imagem (MI). Este último está mesmo a revelar-se um instrumento fantástico na análise de rochas. Começo a gostar mais dele do que de todos os outros.

1- O espectrómetro de raios-X detectou uma concentração elevada de enxofre e de bromo numa das rochas do afloramento que está a ser estudado pelo rover. A rocha McKittrick apresenta de facto concentrações mais elevadas destes elementos em comparação com uma amostra de solo. Os dados recolhidos por este espectrómetro e pelo mini-TES sugerem que o enxofre se encontra sob a forma de sais de sulfato (semelhante a sal de Epson; sulfato de magnésio). Uma rocha próxima desta (Guadalupe) mostrou igualmente concentrações elevadas de enxofre, mas não de bromo. Este tipo de “fracionamento de elementos” acontece habitualmente quando água extremamente salgada evapora lentamente e deixa para trás várias combinações de sais que vão depois precipitar-se em seqüência. Na Terra, pedras que possuem concentrações semelhantes de sais ou se formaram em contacto com água ou, depois da formação, foram expostas ao precioso líquido.

2- O espectrómetro Mossbauer do rover descobriu jarosite na rocha “El Capitan”, um mineral de sulfato de ferro hidratado que pode ter surgido nesta rocha devido ao facto de ela ter passado muito tempo num lago ácido ou então num ambiente de fontes termais ácidas.

3- Imagens da câmara panorâmica (PANCAM) e do microscópico de imagem (MI) mostram na textura de “El Capitan” muitos buracos estreitos e esguios. Estes buracos aparecem na Terra quando minerais de sal cristalizam na matriz das rochas ficando lá a sua marca quando estes são dissolvidos ou erodidos.

4- O MI revelou em “El Capitan” pequenas esferas semelhantes a “mirtilos” que parecem se ter formado nesta rocha por acumulação de minerais provenientes de uma solução originária de uma rocha porosa e húmida. O tamanho do grão da matriz da rocha à volta destes “mirtilos” é ligeiramente diferente do que no resto da rocha, o que parece indicar uma reacção produzida por um fluido entre a matriz envolvente e as próprias esferas.

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